Ministério da Cultura

 MORTE DO POETA EUGÉNIO DE ANDRADE 

13-06-2005 
Comunicado à imprensa

O Ministério da Cultura expressa o seu mais profundo pesar pela morte do grande poeta Eugénio de Andrade, ocorrida hoje na cidade do Porto. Figura maior da poesia portuguesa, nome cimeiro da história literária do século XX, o seu desaparecimento constitui uma perda irreparável para a Língua e Cultura Portuguesas.

Com enorme tristeza assistimos ao desaparecimento do homem e do cidadão, sabendo contudo que o poeta persistirá, através de uma obra grandiosa, distinguida ao longo dos anos pelos mais prestigiados galardões e traduzida em muitos idiomas do mundo.

Além de poeta, Eugénio de Andrade foi um homem muito atento e interveniente na vida cultural do Porto, cidade que adoptou como sua. Apesar de um temperamento algo reservado, no seu carácter sobressaía uma sincera disponibilidade para partilhar a sua poesia, visitando regularmente escolas, participando em conferências e tertúlias.

Eugénio de Andrade deixa-nos uma obra poética ímpar, uma escrita perpassada de constelações de palavras. Ele era único na sua forma de conduzir os vocábulos mais simples na busca de novos sentidos, alargando o mundo do possível. Na sua poesia destaca-se ainda a intensidade, a constante vibração, um ritmo muito particular. A escrita é quase branca, limpa, ou melhor, límpida. E embora usando como matéria-prima um léxico muito escasso - ligado aos elementos primeiros - o seu lirismo reflecte uma extraordinária exigência e conduz-nos, invariavelmente, ao domínio do belo. À família de Eugénio de Andrade, o Ministério da Cultura apresenta as suas mais sentidas condolências.