Intervenção da Ministra da Cultura na homenagem ao actor e encenador Júlio Cardoso, no Porto
Um país sem memória dos seus artistas e sem consciência da actividade criativa e artística presente tem a identidade cultural futura comprometida.
É, pois, com esse espírito e ciente da necessidade de garantir a renovação da criação teatral e o acesso das próximas gerações às artes cénicas, que tenho a maior satisfação em associar-me à homenagem que hoje é prestada a Júlio Cardoso, cuja actividade ao longo dos últimos 50 anos, certamente, constitui fonte de inspiração para novos actores, encenadores e programadores culturais.
A multiplicidade de autores prestigiados que interpretou e dirigiu; e a competência com que empreendeu projectos tão inovadores, consistentes e de qualidade como a Seiva Trupe (companhia de teatro), o FITEI (Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica), a Academia Contemporânea do Espectáculo (escola oficial de formação teatral) e a AMAR (associação mutualista dos artistas), atestam excelência da sua obra.
Pelo seu percurso e pelo dinamismo cultural que imprimiu, na área do teatro, no norte do país a partir dos anos 50, o Ministério da Cultura tem o grato prazer de publicamente reconhecer Júlio Cardoso como um extraordinário exemplo dos muitos profissionais de grande qualidade que temos em Portugal e um dos que mais se empenhou no desenvolvimento do teatro no nosso país.
Paralelamente e tão ou mais importante que o reconhecimento das entidades públicas é o apreço que granjeou junto dos seus pares, o que evidencia, para além da competência já referida, uma enorme capacidade de generosidade.
As qualidades pessoais e o sentido cívico com que tem pautado a sua actividade cultural e do qual é exemplo paradigmático a fundação da Associação Amigos do Coliseu, testemunham uma vida feita de causas em prol do teatro e da cultura portuguesa que muito nos orgulha e que hoje enaltecemos.
Por toda uma vida ao serviço da Cultura e do Teatro, ao serviço do interesse público e ao serviço da ARTE, expresso aqui o reconhecimento público do Ministério da Cultura e a justa homenagem à sua vida e à sua Obra.
Caro Júlio Cardoso, Muito obrigada por tudo o que nos deu!